2 de maio de 2009

A supremacia do "querer ser"

Local: um ônibus. Uma pessoa: garota com celular. Um fato: música em alto volume.
Então parei pra pensar: por que isso?
Creio que as pessoas venham sendo envolvidas pela supremacia do “querer ser”. Hoje, mais importa (apesar da questão da importância ser contraditória) que outros saibam ou pensem algo de você. Atreveria-me a dizer até que não é um fenômeno atual, já que Platão dizia que era melhor parecer do que ser. Vai ver que seja isso: a sociedade ocidental atual, cunhada no modelo da sociedade Clássica, não poderia deixar de refletir alguns aspectos da mais antiga.
No caso dos celulares sem fone de ouvido, importa muito mais passar a mensagem “oi, tenho um celular e olha, conheço aquela música nova” do que realmente apreciar uma canção. Ainda mais dentro de um ônibus, onde os barulhos da rua e do próprio automóvel atrapalham a apreciação plena da uma melodia.
É dessa maneira que nossa sociedade vem progredindo com os anos (essa progressão é certamente contraditória), enchendo marcas com simbologias maiores que elas, revertendo valores que já não eram tão arraigados, confundindo conceitos, criando ídolos instantâneos de valores éticos/morais duvidosos...
O homem contemporâneo passa pela vida como um completo produto, que tem suas vontades controladas, suas ações estagnadas, sua sensorialidade entupida e sua mente esvaziada. Ele quer ser o que o mundo quer que ele seja. Ele deseja. E ele faz de tudo pra isso.

*publicado sob o codinome El Niño no blog http://www.climaruim.blogspot.com/

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